Os Salmos de lamento
Boletim - Ano 7 - Nº 295 - 15/07/2018
Boletim - Ano 7 - Nº 295 - 15/07/2018
Poucas coisas na Bíblia possuem tanta dramaticidade, existencialidade e profundidade como os Salmos de Lamento. Tais Salmos representam uma aguda expressão de dor, de perplexidade que vem do mais profundo do ser. É um grito, um clamor, que emerge do profundo da alma. Exemplo disso é o salmo que Jesus recita na cruz, o salmo 22.
De modo interessante estes Salmos ao mesmo tempo que registram um lamento, uma confiança em Deus e a certeza de que Ele ouviu o clamor do salmista, eles apresentam uma certa dose de acusação ao divino. De algum modo o salmista joga na conta do divino o esquecimento dele, de sua situação. É comum o registro do "até quando". Nas horas de solitude a alma clama pela solicitude divina. É um momento de profunda humanidade e fragilidade. É momento também de perplexidade, no qual os pensamentos se tornam um turbilhão. Confiamos em Deus, mas o "acusamos" de abandono; reclamamos da solidão, mas ao mesmo tempo sabemos que Ele nos ouve; é... aguentar nossas ambiguidades não deve ser fácil para Deus... Ainda bem que Ele nos ama.
Nossa vida é assim. Nós somos como o salmista, conquanto nem sempre desnudemos a nossa alma, mostremos a nossa perplexidade como Ele o fez. No entanto o mais interessante é que o Amigo do salmista continua sendo o mesmo: Deus. É por isso que eu e você podemos rasgar nosso coração diante dEle. Com Deus não há censura, mesmo porque Ele sabe o que se passa dentro de nós. Para Deus importa é a autenticidade, como a do salmista. Não é isso que é a amizade? O espaço no qual podemos ser o que somos?
Com carinho,
Pr. Sérgio Dusilek
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